1 de agosto de 2017

Resenha: O Menino Que Desenhava Monstros - Keith Donohue


Por vezes, você encontra um livro com o qual fica tão encantado - e um tanto chocado - que pensamos: "Como alguém foi gênio a ponto de escrever isso?". Pois bem, foi isso que pensei de O Menino Que Desenhava Monstros, escrito brilhantemente por Keith Donohue e publicado de forma fantástica pela Darkside. A história rendeu tanto sucesso que já teve seus direitos vendidos para o cinema.


Sinopse: Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar. 

Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. 

E os monstros parecem se aproximar cada vez mais. Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.

A personagem principal, Jack Peter, faz o leitor amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo, visto que sua síndrome o afeta de tal maneira que nos faz pensar se ele não tem um comportamento diferente das demais crianças mesmo, como sugere seu melhor amigo, Nick, que tem a mesma idade de Jack, mas que já não aguenta mais ir na casa dos Keenan para brincar com o garoto. Além disso, como o autor, em diversos capítulos, coloca a versão dos fatos na visão de mais de um personagem, ele acaba, de certa forma, manipulando com as emoções do leitor, fazendo com seu julgamento acabe por ser mais insensível por vezes.

"Com um grunhido, o policial se endireitou e deu umas pancadinhas na coxa com o osso, como se este fosse um chicote de equitação. - Talvez tenha sentido o cheiro ou percebido que havia um osso enterrado. Tem um enorme cão branco correndo solto por essa área. Cães podem farejar ossos a um quilômetro de distância. Mesmo ossos velhos. Viram algum outro buraco? Outros ossos por aí? - Tim o olhou com reprovação. - Você não deveria estar tratando isso como a cena de um crime? Esse osso não é uma espécie de prova?"
Página 134

Como era de se esperar, ninguém acredita em Jack Peter. Ninguém acredita que há monstros espreitando sua casa, sua segurança. Ele pensa que ninguém o entende e que não deveria ser ele a ir embora dali. As intenções aparentes de Jack também causam certo receio ao que ele pode vir a tramar para sua família e seu melhor amigo, causando certo sentimento de antagonismo em relação a ele.

"Corpos não encontrados. Eles poderiam ainda estar lá, bem atrás de nossa casa, e aquele osso talvez de uma daquelas pobres crianças. O tique-taque do grande relógio da sala enchia seus ouvidos. Além de Holly, ninguém mais jazia na biblioteca naquela manhã. Ela se sentiu tentada a tirar a linda folha de papel antigo da pasta e colocá-la na bolsa, como prova de suas suspeitas, mas, em vez disso, simplesmente anotou cada nome em um bloquinho. Corpos levados por Amigos."
Página 161

Como a maioria - senão todos - os livros da Darkside, a diagramação de O Menino que Desenhava Monstros é perfeita. a capa possui relevo no nome do livro e em parte dos dentes do que seria o monstro que aterroriza Jack Peter. Além disso, como de praxe, um marcado de página próprio do livro facilita na hora da leitura e da organização. As letras da capa e da contracapa lembram às de um garoto de dez anos, de fato. Internamente, o corpo da letra utilizada é menor, creio que para diminuir a quantidade de páginas. A não ser que você tenha problemas em ler letras pequenas por muito tempo, a leitura fluirá rápida e tranquilamente até. Eu, por exemplo, consegui ler boa parte do livro em apenas uma tarde.

Em suma, O Menino Que Desenhava Monstros é mesmo uma daquelas obras que você deve sempre ter na estante para ler e reler. Para completar minha adoração, a história se passa no Maine - local onde mora e onde se passa as histórias de meu escritor favorito, Stephen King - e pode deixar qualquer um vidrado e pensativo no que acaba de ocorrer.

Nota5

Serviço
Livro: O Menino Que Desenhava Monstros
Autor: Keith Donohue
Editora: Darkside
Páginas: 256
Ano: 2016
Preço médio: R$ 29,90

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