8 de agosto de 2017

Resenha: A Hora do Lobisomem - Stephen King



Quem curte terror sabe bem que Stephen King é mestre nisso. Desde muito cedo, ele escrevia contos para periódicos, contos estes que aterrorizam até hoje. Um deles é A Hora do Lobisomem, que conta com ilustrações de Bernie Wrightson e que acaba de ser relançado no Brasil pela Suma de Letras sob o selo Biblioteca Stephen King.

Sinopse: Uma criatura chegou a Tarker's Mills. A hora dela é agora, o lugar dela é aqui. O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’s Mill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King,com as ilustrações originais de Bernie Wrightson.

Como primeiro livro de King, é natural que ele não seja o mais pavoroso de todos. It, a Coisa, O Iluminado, Doutor Sono e Desespero são exemplos de obras que estão à frente de A Hora do Lobisomem. Mas, pensando bem, ele virou filme também, então já é de se imaginar sua qualidade.

"No sonho, ele está fazendo o sermão com um fogo e uma força que raramente alcança na vida real (ele tende a falar mecanicamente, o que pode ser um dos motivos para a frequência na Batista da Graça ter diminuído tão drasticamente nos últimos dez anos, mais ou menos). Naquela manhã, a língua parece ter sido tocada pelo Fogo Pentecostal, e ele percebe que está fazendo o melhor sermão de sua vida, e o assunto é o seguinte: A BESTA ANDA ENTRE NÓS. Ele fica repetindo isso sem parar, vagamente ciente de que sua voz ficou áspera e forte, que suas palavras alcançaram um ritmo quase poético."
(MAIO - Página 47)

A obra é construída em meses. Cada página anuncia a chegada de determinado mês, no qual cada ataque da besta ocorre. Com o passar do tempo, um toque de recolher é baixado na cidade e as pessoas passar a ter medo de cada noite de lua cheia. Aparentemente, o monstro jamais será detido e matará um a um os moradores de Tarker's Mills, até que uma reviravolta coloca o responsável - que, aos poucos, tomou consciência de que era o lobisomem - em alerta. A solução pode vir de quem menos se espera, no momento menos esperado.

"Mas, quando os dedos gorduchos tocam no caixilho frio da janela, ela vê que não é um homem; há um animal lá fora, um lobo enorme e peludo, as patas da frente apoiadas no parapeito, as de trás encolhidas na neve que se acumula naquele lado da casa, aqui, nos arredores da cidade."
(FEVEREIRO - Página 25)

Mesmo sendo o primeiro livro de SK, conforme escrevi no primeiro parágrafo, ele já denota as primeiras linhas de expressão de um dos maiores escritores da atualidade e, por que não, de todos os tempos (ok, sou suspeito para falar, mas mesmo assim!). Os traços de horror, pavor e descrição dos acontecimentos seguem a fidelidade de King.

Já a diagramação é simplesmente fantástica. A capa tem tom de azul mais escuro do que o que é reproduzido na imagem acima e o recorte do lobisomem é em alto relevo. Além disso, tanto a capa como a contracapa são duras e têm acabamento diferente do tradicional, confesso que não consegui reconhecer. Na parte interna, as ilustrações dão o tom da história, fazendo com que o leitor se sinta totalmente imerso no universo King. Simplesmente fantástico.

Serviço
Livro: A Hora do Lobisomem
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 149
Ano: 2017
Preço Médio: R$ 44,90

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