18 de julho de 2017

Resenha: Selva Brasil - Roberto de Sousa Causo

* Livro cortesia da editora


Nem todos sabem, mas o Brasil já teve planos de invadir outro país. No caso, as Guianas, na época em que Jânio Quadros era presidente. Na vida real, esse plano não vingou. Mas, e se tivesse vingado? É isso que Roberto de Sousa Causo nos mostra - com maestria - em Selva Brasil, da Editora Draco.

Sinopse: Esta é uma história alternativa que imagina como seria o Brasil vinte anos depois da invasão militar brasileira das Guianas, na Fronteira Norte, segundo os planos megalomaníacos do Presidente Jânio Quadros. Simultaneamente, a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul. Contudo, uma coalizão formada pelos países atingidos pela ação militar brasileira - Inglaterra, França e Holanda - e os Estados Unidos contra-atacaram e empurraram os soldados brasileiros de volta, ficando com um bom pedaço da Amazônia Brasileira. Desde então instalou-se um conflito permanente na região, com o Brasil e aliados latino-americanos lutando para retomar o território perdido e manter sob controle uma guerrilha patrocinada por aqueles países do Primeiro Mundo. É um Brasil completamente diferente do nosso, contido política e economicamente por esse conflito perpétuo, e com gerações de jovens brasileiros comprometidas com o conflito. Amparada por uma pesquisa cuidadosa, Selva Brasil acompanha um grupo de soldados que - ao seguir para um ponto anônimo do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, onde devem substituir uma outra unidade do Exército Brasileiro - se depara com desertores e com um plano secreto para romper as regras de engajamento que limitam o conflito na região. Ao mesmo tempo, esses homens são confrontados com um estranho experimento militar que, indo além dos parâmetros do seu projeto, pode ter aberto um portal entre essa realidade paralela e a nossa.

À primeira vista, o leitor pode se sentir meio "perdido", pois é jogado na ação desde o primeiro instante. Mas, com o passar da trama, começamos a entender o que é o quê e quem é quem afinal. Nela, o autor cria seu personagem principal com seu próprio nome, porém, com o "Sousa" com z e não com s. Segundo o próprio conta ao final da obra, foi uma "piada particular com as centenas de vezes em que o meu nome foi escrito dessa forma". A obra mescla realidade e ficção, partindo do pressuposto que Jânio Quadros tivesse, de fato, invadido as Guianas e que Causo - que serviu no Exército, de fato - tivesse sido recrutado para tal guerra.
"O que a gente tava fazendo ali, prestes a enfrentar em combate de vida e morte outros homens, outros brasileiros? Caminhava às vezes olhando pra cima, tentando divisar algum brilho de céu azul no recorte dos galhos, às vezes mirando os pés calçados em marcha vagarosa, outras observando meus companheiros caminhando à minha volta, sombras verde-escuras na escuridão da mata."
Página 24

O texto é narrado em primeira pessoa, inclusive com gírias típicas das Forças Armadas e expressões comuns dos brasileiros. A personagem até pede desculpas, certo momento, por "não ter um português muito bom". Assim, vamos acompanhando a estranha deserção de alguns brasileiros para virarem guerrilheiros e tentarem evitar os planos tupiniquins.

"Colocamos o material em cima da mesa de campanha do bunker. As fotos mostravam cadáveres espalhados por todo lado, meio desmembrados, armas caídas ao lado. - Olha só para este fuzil - apontei. - É um Stoner. - O fuzil regulamentar das forças armadas americanas... - É. Os americanos andaram fornecendo armas mais modernas pros guerrilheiros desde o final do ano passado. Antes vinham umas coisas que sobraram da Segunda Guerra Mundial e uns AR-15S, mas agora tão mandando a última geração dos Stoners. Vi num relatório que foi passado pros comandantes de plantão."
Página 33

A leitura é tranquila, já que a fonte e o corpo da letra utilizados na diagramação são bons para se enxergar e, apesar dos diversos vícios de linguagem, não há nada que atrapalhe a fluidez da história. A capa passa um clima de tensão, de guerra, preparando o leitor para o que está por vir.

Em suma, Selva Brasil cumpre o que promete, é leitura rápida - já que possui pouco mais de 100 páginas. Terminei de ler em apenas dois dias - e obrigatória para quem, como eu, gosta de uma boa leitura sobre guerra e, ainda mais, quando mistura este universo com uma boa pitada - na medida certa - de ficção.

Serviço
Livro: Selva Brasil
Autor: Roberto de Sousa Causo
Editora: Draco
Ano: 2010
Páginas: 112
Preço Médio: R$ 20
Nota: 5

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