13 de junho de 2017

Resenha: Sacramento - Felipe Cangussu


Muito já se viu e ouviu sobre a temida “Dona Morte”. Talvez a imagem mais emblemática que temos dela seja aquela da Turma da Mônica. Aquela é boazinha até. Mas, e se você fosse caçado por ela até onde fosse possível por conta de uma dívida? É isso que Johnny Sacramento experimenta em Sacramento, de Felipe Cangussu, publicado pela editora Arwen.

Sinopse: O que você faria se recebesse uma mensagem da própria morte, dizendo que seu tempo de vida expirou? Ele tentou driblar a morte a fim de proteger as pessoas que mais ama, porém ninguém pode fugir do seu destino. Ou será que pode? Com enredo original e arrojado, Sacramento conta a história de um grupo de amigos que enfrentará situações inimagináveis a fim de evitar o fim iminente. Prepare-se para conhecer a história de William, o amigo que todo suicida gostaria de ter; Anderson, o psicopata do bem; Marina, a mulher que amou demais; e Johnny Sacramento, o homem que (quase) morreu três vezes.

A trama é muito regionalista, como se pode perceber desde o primeiro capítulo. Boa parte se passa no distrito de Taquaruçu, pertencente a Palmas, Tocantins. É lá que Johnny Sacramento conhece seus dois melhores amigos: Anderson, conhecido como Italiano e Will, que são primos.

O trio, ao lado da prima de Johnny, Marina, vai crescendo e amadurecendo, mas tudo muda quando Johnny vai trabalhar em Brasília e Marina se casa com o playboy Ricardinho Koffman. Aturdido com a forma como sua vida está, Johnny faz algo que o faz ficar em dívida com a Dona Morte, mas ele opta por postergar seu débito, o que pode vir a ser um grande problema para ele, para Taquaruçu e, também, para as pessoas que ele mais ama.
"Johnny pegou a avenida principal e disparou em direção a Palmas. Precisava correr se quisesse achar Marina antes daquelas coisas. Cadê você, sua cabeça-dura? Por que foi fazer isso, Mari? A moto roncou alto enquanto Taquaruçu ficava para trás. A jaqueta de couro protegia do frio que tomara a região. As luzes dos postes iam se apagando conforme a moto se aproximava. Elas piscavam duas vezes antes de escurecerem por completo. Johnny se sentiu como se estivesse no meio de uma região inabitada. Isolada do mundo. Isso não o impediu de continuar." (Cap. 20, pg. 227)
A obra é muito bem construída, digna de filme. as características de cada personagem e cenário fica evidente, com a abordagem de assuntos como o medo da morte, a violência contra a mulher, a soberba humana e até o bullying infantil. Além disso, toda a criação do mundo da morte e de como as almas passam para o outro lado é surpreendente, com pitadas de terror e sangue a cada página, do começo ao fim.

Há intercâmbios de cenas do passado com cenas do presente das personagens, como nas épocas de infância, adolescência e momentos mais do que cruciais para o presente. Quanto à diagramação, nada a reclamar. A capa é magnífica, tendo detalhes da história inclusa nela. Aparentemente, a fonte foi ligeiramente diminuída por conta da quantidade de informações e de páginas, mas nada que atrapalhe na fluidez da leitura, a qual transcorre muito bem, mesmo com os flashes ocasionais. 

Somente o material da capa me pareceu estranho, tendo um plástico meio fosco que a recobria. Ele começou a se desmanchar e, em minha opinião, esteticamente falando, ela fica mais bonita sem este item, a não ser que ele tenha uma função mais funcional.

Resumindo, Sacramento é um livro que reúne o melhor do terror com o melhor do regionalismo brasileiro, traço que, particularmente, adoro desde as épocas dos grandes poetas e escritores brasileiros. Mais do que recomendado.

Nota5

Serviço
Livro: Sacramento
Autor: Felipe Cangussu
Editora: Arwen
Gênero: Romance / Ficção
Ano: 2016
Idioma: Português
Páginas: 404
ISBN: 978-85-68255-73-5
Preço médio: - 

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