8 de novembro de 2016

Resenha: O Androide - Paulo de Castro

* Livro cortesia do autor

Imagine um mundo pós-apocalíptico, mas sem nenhum ser humano, somente máquinas. Esta é a proposta do glorioso O Androide, de Paulo de Castro.

Dos livros que li recentemente, este foi um dos que mais chamou a atenção, merecendo estar no patamar que está (onde já esteve o maravilhoso A Arma Escarlate, de Renata Ventura), ou seja, sendo publicado pelo selo Novos Talentos da Novo Século.

Sinopse: Percebeu que se, de fato, um Deus que zela pelos humanos existisse, não designaria uma máquina para ser o profeta. Esse Deus, ora cruel, ora misericordioso, nem ao menos permitiria a própria extinção dos seres humanos. Poderia a máquina ser esse Deus, dando vida de novo aos homens?". Esse e outros sinais elétricos varriam o processador de JPC-7938 com velocidade sobre-humana. Processava uma infinidade de outras informações ao mesmo tempo, o que diminuía ainda mais a energia da sua bateria. Talvez era isso mesmo que ele quisesse, para consumar de uma vez o que já estava fadado ao fracasso. Sua bateria durou quatro horas até o desligamento completo. Nessas intermináveis horas, em que não via nada além da densa neblina, que ofuscava o céu azul, cercado de nuvens brancas, percebeu que tudo não passava de coincidência. Que o planeta fora criado, de fato, ao acaso, e que não havia um destino ou uma missão a ser cumprida; apenas a existência, até o inevitável dia do fim. 

Resumidamente, a história nos conta o desejo do robô JPC-7938 de repopular a Terra após a aniquilação dos humanos por parte dos robôs. A partir daí, ele se junta a outro robô, OPR-4503, que sabe como fazer isso dar certo, e a NCL-6062, androide feminina que julgam ser a "hospedeira" perfeita. Durante anos, eles embarcam em uma longa jornada, tentando escapar dos satélites vigilantes de H1N1 (atual comandante do planeta) e, ao mesmo tempo, chegar ao local indicado por OPR-4503.
"Foi quando observou um robô, sem rumo, sem objetivo, parado no corredor, entre duas portas, alheio aos movimentos da casa, alheio a ele, que, encostado à porta, observava sem qualquer reação. Teve o ímpeto de entrar no quarto novamente, esconder-se, mas, tomado de dúvida, continuou à porta, confuso. Não processava o que estava ocorrendo."
O autor, em paralelo à história principal, conta a vida de cada um dos robôs envolvidos antes da aniquilação humana. Além disso, o vocabulário utilizado é muito rico e excelente. Além disso, ele exalta a ausência de sentimentos dos androides, mesmo quando são humilhados e vítimas de racismo. A obra nos faz pensar nestes aspectos que envolem a sociedade humana, bem como a forma como estamos lidando com nosso plan eta - este é o argumento principal para o fim da raça humana.

A diagramação, assim como em outras obras da novo século, é muito boa. A letra é meio pequena, porém é tranquila para se ler. a obra corre muito bem e a capa da obra é espetacular. Azul-claro tranquilizante, um androide fugindo das sentinelas de H1N1, enfim, muito bem-acabado e bem feito. Vale - e muito - a leitura.

Nota: ★★★★

Serviço
Livro: O Androide
Autor: Paulo de Castro
Editora: Novo Século (selo Talentos da Literatura Brasileira)
Páginas: 256
Preço médio: R$ 29,90

Um comentário:

  1. Apesar de não ser muito algo que eu goste de ler, isso de robôs dominando a humanidade, tirando a vida em si e deixando o comando de tudo para máquinas, a gente tem uma vaga noção de que não é tão impossível assim.
    Se puder,lerei!!!
    Beijo

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