26 de outubro de 2016

Minuto do Escritor: Daniel de Santana Pelotti


O Minuto do Escritor está de volta, desta vez, com o escritor Daniel de Santana Pelotti, autor de Sob Os Olhos da Morte.

Desde criança, Daniel queria se aventurar a escrever um livro. Ele conta ao BioLivros que, nessa época, ele começou a desenhar histórias que vinham em sua cabeça. Quando aprendeu a escrever, Daniel tentou conciliar a escrita com seus desenhos, mas então percebeu que preferia mais um do que o outro. "Foi quando percebi que curtia mais a parte literária do que a artística. A partir daí não parei mais. Passei a pensar em personagens, cenários, tramas e botar tudo no papel ou na tela do computador. Às vezes pegava histórias dos jogos de videogame, filmes e gibis e as mudava, cruzava entre si, criava novas aventuras e dava um novo final também. Sempre por diversão mesmo. Até que por volta dos meus 16 anos comecei a escrever textos mais lúgubres, ainda que sendo por brincadeira mesmo; sem cobiçar a ideia em transformar nada disso em um livro."

Quando completou 20 anos, em 2000, o autor teve sua primeira ideia fixa em escrever um livro. Sob Os Olhos Da Morte começava a nascer ali. "Comecei a rascunhar ele e o segundo logo na sequência, enquanto inúmeras outras ideias iam sendo registradas. Infelizmente não fui muito longe, pois precisava focar na busca de um emprego remunerado. Claro que o sonho não morreu, sido revivido por volta de 2009, pela minha amada e querida namorada atual, que me fez voltar a escrever. Então, em 2012, peguei firme e reiniciei Sob os olhos da Morte, já com outra cabeça, novas sabedorias e experiências."

Como é perceptível pela sinopse do livro e pelas redes sociais do escritor (confira mais abaixo), ele gosta bastante de suspense e terror, em especial os, como ele próprio denomina, mistérios do além. "Eu como todo ser humano desse planeta, sempre fui curioso quanto a isso. Desde criança não perdia um filme do Freddy Krueger e sempre que podia buscava nos filmes, livros, revistas e gibis de horror, além da religião o significado da morte, a existência dos espíritos e fantasmas, anjos, demônios e até de Deus. Daí tentava entender suas motivações e necessidades universais (pode-se dizer que tenho um pouco do Roberto - protagonista do meu romance - em mim). Sem contar que todos nós gostamos da experiência que o medo nos provoca. Somos fascinados por esse tema."

Apesar disso, ele sentia que ainda não existia algo tenebroso o bastante. "Assim como eu, o público amante do medo necessitava de algo mais pavoroso. Alguma coisa que nos causasse arrepios de verdade e nos fizesse olhar o vazio da escuridão com o mesmo sentimento que uma criança faz isso. Logo tratei de pensar em histórias mais sombrias, mais sobrenaturais e que realmente assustassem a todos. Então hoje trabalho duro para que consiga criar as narrativas mais tenebrosas possíveis, pois vejo que os autores desse gênero temem se aprofundarem muito nesse mundo. Já eu sou mais 'doido' e não me acorrento frente aos horrores que minha mente é capaz de criar. Na verdade boto tudo para fora. Talvez em Sob os olhos da Morte ainda não tenha chegado lá, mas aos poucos os monstros irão sair da minha cabeça e povoar a de todo mundo."

ORIGEM
Como dito anteriormente, Daniel começou a escrever sua obra há 16 anos atrás. Ele nos conta que uma das origens do livro são suas pesquisas profundas sobre asusntos como morte, além e os demais que ele adora. "Não quero entrar no mérito de revelar muita coisa do meu romance, porém ouso mencionar que os seres que aparecem nesse meu primeiro livro são os que mais me fascinam no meio sobrenatural. Não obstante, o título me chamou. É comum um título vir à frente da história na cabeça de um autor, embora não seja regra, é claro. No meu caso esse título me veio e disse: 'Daniel, fale de mim. Pense, cara. Quem não está sob o olhar da Morte? Quem não teme morrer? E quem não imagina o que significa efetuar essa passagem?'. Percebi que precisava falar de tudo que se esconde no fundo da escuridão. Abrir as portas para a Luz e a Trevas e mostrar que dentro delas não há o vazio, e sim coisas que nos amam e nos odeiam também. E todas elas nos querem."

EMPREGO
Até recentemente, Daniel era industrial, mas acabou saindo de seu emprego e, observando a situação atual do País, ele decidiu utilizar seu tempo livre para se dedicar em tempo integral a seus escritos. "Assim sendo, passei a utilizar o tempo livre para espalhar minhas obras por toda a cidade de São Paulo, vendendo alguns de meus poemas e contos juntos a chocolates de ônibus em ônibus. Hoje é assim que vou vencendo na vida para pagar minhas contas e alegrar o povo que gosta de ler bons textos, que não ficam apenas no sobrenatural, mas também seguem para os motivadores, românticos e até os mais apimentados."

DIFICULDADES
Daniel, assim como a maioria dos autores nacionais, encontra dificuldades para encontrar o público que queira comprar suas obras. "Ainda tem sido imensamente difícil. Lido com preços de baixo custo/ganho dos meus poemas e contos para poder cativar o público. Corro diariamente na divulgação e mesmo vendo que o povo gosta do meu trabalho, muitos deles se mantêm pouco receptivos, em especial, ao livro, que por ser um romance, possui um valor mais elevado aos pequenos poemas e contos vendidos avulsos. Sei que a carreira de escritor no Brasil é pouco difundida, respeitada e funcional, entretanto não cederei aos percalços que me surgem. Naturalmente que uma editora por si só não é sinônimo de sucesso. Entretanto ajuda bastante em relação a contatos com livrarias, publicitários, viagens, produção e até mesmo verbas. Só que chegar a um editor é bastante complicado. Existem muitas regras, trâmites e o contato é quase nulo", lamenta.

Além disso, ele nem sempre tem facilidade em apresentar seus poemas dentro dos ônibus. "A má recepção dos motoristas é a mais forte (dificuldade). Alguns me negam a entrada por não quererem vendedores em seus carros, chegam a fingir que nem existo na frente da porta deles. Outros me negam por temerem a fiscalização, câmeras ou por já estarem fartos de tanto verem a minha cara. Naturalmente que levo tudo isso na boa. Tanto que até agradeço a todos eles em Sob os olhos da Morte. Outra dificuldade está nos próprios passageiros. Algumas vezes me vejo divulgando para as janelas e bancos, pois eles, mesmo sendo muitos, ficam na maior conversa possível e parecem até aumentarem o tom da voz quando começo a falar. Outras vezes nem sequer olham na minha cara. Mais uma vez digo a mim mesmo 'bola para frente' e sigo com meu trabalho."

PÚBLICO
Apesar dos percalços que Daniel tem encontrado, o retorno do público tem sido considerável. "Se por um lado alguns me ignoram ou atrapalham minhas divulgações, por outro lado, muitos se calam e se atentam ao que digo, mesmo que não estejam dispostos a comprarem nada. Outra alegria e orgulho para mim é ver que a maioria dessas pessoas que me compram, querem pelas minhas obras, e não pelos chocolates que os acompanham. Claro que tem sempre aquele que só quer saber do chocolate e tanto faz qual será o texto, contudo a maioria é exatamente o oposto. Muitas vezes eles nem fazem tanta questão de escolherem o chocolate e isso me orgulha tanto como escritor e até como brasileiro, pois me mostra que gostamos, sim, de ler e até de promover a cultura do nosso País", completa.

Sinopse de Sob Os Olhos da Morte: Quando se tem a vida de uma pessoa em suas mãos, a única
coisa que se passa em sua cabeça é a de não deixar que ela escape. Assim é a vida de Roberto. Um cardiologista conceituado que jurou lutar para salvar tantas vidas for possível, utilizando-se de todo seu talento médico, ao mesmo tempo em que busca nos meios espirituais, uma maneira de vencer o nefasto anjo ceifador. Mas o quanto essa alta dedicação é capaz de mexer com a sanidade humana? E pode um médico que jurou salvar vidas, as tirar? Para tais perguntas existe outro homem que também fez o seu juramento de proteção e salvação. Um policial chamado Davi lutará para impedir que assassinatos desenfreados sigam espalhando o medo pela cidade que ele jurou proteger. Logo ambos se verão frente a frente em uma periculosa trama, quando sombras negras envolverem toda a pequena cidade paulistana de Miraranquara, trazendo consigo inúmeros mistérios, mortes e tragédias. O Mal e o Bem rondarão os corações e as mentes de todos. Então a fé e a vida, fatalmente, terão os seus futuros traçados nas asas do destino. Nesse mundo entre a luz e a treva, cada página vai aproximar o leitor da solução desses segredos nefastos. Quem é o assassino e a vítima? Quem, de fato, está seguro? E quem está… Sob os olhos da Morte?  Páginas: 551 |  Onde Comprar: Ebook Amazon

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3 comentários:

  1. Devo dizer que me orgulhei demais do resultado.
    Espero que todos que virem aqui ler gostem muito do texto, assim como eu. Afinal, saber um pouco mais do autor por trás do livro que ele escreveu é uma adição fenomenal em nossas leituras, não é mesmo?

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  2. Fico muito orgulhosa em fazer parte de seu livro e de sua vida, muito feliz também em saber que aos poucos sua obra vai ficando conhecida com essas entrevista e na divulgação que você faz nos ônibus, nada na vida vem de graça nem de mão beijada, mas tenha a certeza que seu sucesso chegará, pois quando descobrirem que você é uma pessoa linda e talentosa cheio de conhecimento e boa vontade , seu livro será conhecido por milhares de pessoas e você poderá se dedicar totalmente a fazer o que você mais gosta, que é escrever seus romances, seus poemas e seus contos. Parabéns por mais essa conquista.

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  3. Eu gosto muito de tudo isso. A vida do autor. Até chegar ao sucesso, as dificuldades, as inspirações..e principalmente, o alcançar de um povo que anda mais distante de literatura do que nunca se viu antes.
    E dá um orgulho muito grande em ver a luta e não desistência em querer e poder levar seu trabalho, de forma humilde, a quem realmente valoriza a literatura.
    Parabéns a ele e a nós, que só temos a ganhar com pessoas assim!!
    Beijo

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