2 de setembro de 2014

Notícia: "A Besta Humana" ganha nova tradução em português


Uma nova tradução em português de A besta humana, de Émile Zola, acaba de ser lançada pela Disal Editora. 


Publicado pela primeira vez em 1890, na França, o livro transformou-se num marco do naturalismo, escola da qual ele foi criador, teórico e maior expoente. Inspirado nas ideias do médico Claude-Bernard (1813-1978) e do historiador e filósofo francês Hippolyte Taine (1828-1893), Zola utiliza o romance como um laboratório de observação atenta da natureza humana e das relações estabelecidas pelo meio, raça e o grau de desenvolvimento de uma sociedade sobre os acontecimentos históricos para, assim, compreender melhor seu objeto de interesse: o homem. 

Em A Besta Humana, Zola narra a história do maquinista ferroviário Jacques Lantier, que sofre de uma compulsão resultante do passado alcoólico de seus pais e que trava uma dupla batalha: luta para domar sua própria hereditariedade e seus instintos e, ao mesmo tempo, manter sob controle as poderosas forças da energia a vapor que move a locomotiva – a besta mecânica, tantas vezes humanizada no livro. A partir desse eixo, o livro pode ser lido de diversas formas: como um drama naturalista, construído sobre o embate entre ciência e sociedade, de um lado, e hereditariedade e instintos, de outro; como uma trama policial tecida de sexo, mortes e mistérios, aliados a uma dose de suspense; ou ainda como uma comédia de erros, em que a verdade nunca está onde parece estar.

Obra-prima da literatura mundial, A Besta Humana ganhou versão para o cinema em 1938, (La Bête Humaine) com adaptação e direção de Jean Renoir, e outra em 1954 (Human Desire), desta vez por Fritz Lang. O lançamento da Disal Editora tem tradução de Dilson Ferreira da Cruz, que também assina as notas e o prefácio. Ele é doutor em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo e autor, dentre outros, de O éthos do enunciador dos romances de Machado de Assis: uma abordagem semiótica, e organizador do livro Machado de Assis: Trinta crônica irreverentes, também publicado pela Disal Editora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário