29 de agosto de 2014

Dica: Na Bienal, Ziraldo conta a história de crianças de rua em "Um menino chamado Raddysson e mais os meninos de Portinari"


“Este livro conta a história de duas crianças de rua: de um garoto que se salvou por causa do esporte e de uma menina que se salvou porque sabia ler.”

Com essas palavras, Ziraldo começa a falar de seu novo filho, Um Menino Chamado Raddysson e mais os meninos de Portinari Ziraldo sempre teve vontade de contar a história dos meninos de rua que vagam nas noites do Rio de Janeiro. Alguns deles o escritor conhecera, anos atrás, quando morava na Praça do Lido, em Copacabana – estava acostumado a dormir ao som dos risos e brincadeiras dos meninos madrugada adentro. A história já estava escrita e reescrita há muito tempo...

No entanto, o escritor e cartunista não sabia como ilustrá- la. Assim, a história que tanto desejava contar permaneceu guardada em sua gaveta. Até que duas coisas significativas aconteceram no mesmo dia na vida do escritor: ele reviu o mural Jogos infantis que Portinari pintou no Palácio de Capanema (então sede do Ministério da Educação). Nesse mesmo dia, à noite, ao voltar para casa, se deparou com os garotos jogando futebol no meio da madrugada. Foi aí que tudo começou: chegou em casa, procurou os ensaios da história e se pôs a folhear seus álbuns de Portinari, recheado de meninos brasileiros. 

Os personagens principais desta história são Raddysson e Rosykeller. Duas crianças comuns, que poderiam até ser irmãs. Duas histórias: a primeira, fictícia. A segunda, real. Ou não. Mas que refletem a realidade da maioria das crianças brasileiras como Vladysson, Ketlein, Marydjoy, Taillnady, Daylande, Cessily, Sullivan, entre tantas outras. 

Raddysson nasceu longe do pai, que carregava tijolos no momento em que sua mãe o trouxe ao mundo em seu barraco. E já chegou enchendo a boca de quem pronunciasse seu nome: RADDYSSON. Assim mesmo, do jeito que sua mãe escolheu. O nome diferente do garoto chamou tanto a atenção de seu pai, que este desapareceu para sempre, naquela mesma noite, após pronunciar o nome de seu rebento.

O tempo passou e Raddysson fez do campinho sua casa, que ficava na Lagoa Rodrigo de Freitas. Apaixonado por futebol, as noites no campinho da Lagoa eram sempre animadas e “alimentadas” com jogos e com sobras de comida que os garçons, parceiros de pelada, traziam para a garotada quando os restaurantes fechavam. Até que um dia um dos garçons convidou o presidente do clube de futebol para assistir ao jogo dos meninos. Raddysson e seu amigo Gladyston se destacaram e foram para a escolinha do clube. Saíram da rua e voltaram para as casas de suas mães. 

Raddysson nem se deu conta de que foi crescendo sem sentir falta do que não conhecia – afeto e carinho.” Mas menino criado solto até que segura tudo o que passa… Só não segura o tempo”, atesta o autor. Gladyston sumiu da escolinha tempos depois, mas Raddysson, não. Pelo contrário, ele seguiu sua vida bem além da escolinha de futebol dali.

História real
Paralelamente à história do fictício Raddyson, Ziraldo expõe na obra em formato reportagem, a história real de Rosykeller que saiu de casa logo cedo, aos nove anos, fugindo dos maus tratos de sua mãe. Ela e seus irmãos não conheceram o progenitor da família. Na rua, ao lado dos amigos que lá viviam, conheceu um abrigo onde era possível comer e tomar banho. De abrigo em abrigo, conheceu um lugar que mudou sua vida: a biblioteca. Foi aí que Rosykeller descobriu o gosto pela leitura e se deu conta de que nunca havia aberto um livro quando vivia na rua. Estimulada por uma freirado abrigo onde vivia, a garota seguiu em frente nos estudos e conseguiu se formar técnica em enfermagem e em Pedagogia. Mas era só o começo de sua jornada rumo ao sucesso.

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