5 de julho de 2014

Resenha: Jornalismo Internacional - João Batista Natali



O jornalista que decide trabalhar na editoria internacional precisa estar atento a diversos aspectos, entre eles: quem possivelmente poderá reclamar das notícias publicadas (embaixadores no Brasil, por exemplo) e dominar no mínimo uns três idiomas, isso porque os sites, que serão fontes, estarão em diferentes línguas estrangeiras. Vale ressaltar que “o jornalismo nasceu internacional” e já no século XVI o banqueiro, que possuía agentes pelo mundo,  criou uma espécie de “newsletter” para receber informações.

Também nessa editoria é importante saber identificar “o que é notícia”, pois o jornalista internacional tem o trabalho de filtrar uma enorme quantidade de informações fornecidas por agências (boa parte desse material acabará no lixo) e analisar aquilo que pode ser relevante para a população para qual escreve. 

O livro Jornalismo Internacional, de forma objetiva e ao mesmo tempo explicativa, desperta a atenção do leitor, principalmente aquele que tem interesse nessa editoria. Além de tratar das características já apontadas nesse texto, o livro traz a importância de saber história, para também, saber contextualizar os fatores sociais, políticos e econômicos diante da notícia que irá relatar.  “A curiosidade pela história é a meu ver o primeiro atributo necessário a um bom profissional na área de política internacional.” (NATALI, João Batista – 2004 – pg. 72).  

Sobre esta obra, há alguns pontos negativos a serem apontados, como por exemplo, a falta de um adendo contendo os nomes e as siglas de agências internacionais e uma explicação mais aprofundada sobre o que é um correspondente (este vive em um determinado país e cobre as notícias deste local), um enviado (este é deslocado para algum lugar do mundo apenas para realização de uma matéria específica) e um stringer (este viaja por diversos lugares, elabora suas próprias reportagens e/ou fotografias e as vende). Outro atributo a ser salientado, é o fato do autor se prender bastante a usar como exemplo a Folha, quando ele poderia abranger tantos outros veículos e desta maneira, enriquecer mais amplamente sua obra.        

Fazendo uma comparação entre o jornalismo internacional de anos anteriores com o dos dias atuais é possível notar que antigamente esta editoria sofria com a demora da chegada de notícias do exterior, que eram feitas através de telegramas e transportes via navio e mais tarde, via avião. Naquela época, as redações também eram mais numerosas e os meios de comunicação investiam mais nesse setor. Nos dias atuais, as coisas não são assim. “Eram os anuários ou almanaques com dados políticos, econômicos e históricos de cada país, era a leitura de grandes reportagens ou artigos de fundo em publicações estrangeiras que tinham um custo elevado de assinatura e chegavam com grande atraso às redações daqui, eram arquivos de recortes ou biblioteca. A Internet traz tudo isso. E traz bem mais.” (NATALI, João Batista – 2004 – pg. 57).

Hoje, como dito pelo escritor do livro, existe a Internet, que é parceira do repórter internacional, uma vez que este tem acesso a diferentes sites de notícias, agências e pode contatar pessoas de diversos lugares do mundo e de uma forma ágil. Presentemente, as redações de jornais não possuem mais diversos correspondentes, já a televisão, em contrapartida, conta com um número maior desses profissionais, também pelo fato da existência de canais pagos que dedicam toda sua grade a assuntos jornalísticos. Portanto, eventos importantes e acontecimentos históricos, principalmente no aspecto televisivo, têm ganhado grande atenção.     

Assim como mencionado no livro, o jornalismo internacional da contemporaneidade aborda mais sobre celebridades (o denominado tema “people”) do que personalidades. Parece que o lado informativo foi um pouco esquecido ou deixado de para trás e o lado entretenimento veio à tona. “Uma das razões que tornou possível essa metamorfose nas pautas jornalísticas está justamente na lógica cada vez mais invasora que as celebridades trouxeram ao noticiário, já que foram as celebridades que passaram a pressupor o fim da distinção entre o público e o privado. O público é a voz ou repertório de um cantor, o privado é sua vida mundana e pessoal.” (NATALI, João Batista – 2004 – pg. 65).                                                                                                                                                                                                            
João Batista Natali, autor do livro citado, é graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Ele foi redator e editor no caderno Mundo na Folha de S.Paulo, onde também trabalhou como repórter no caderno Cotidiano e correspondente pela França. Atualmente, Natali leciona Ética Jornalística na Faculdade Cásper Líbero e  colabora com a Folha como enviado especial.

SERVIÇO
Livro: JORNALISMO INTERNACIONAL
Autor: JOÃO BATISTA NATALI
Páginas:  127
Data de publicação: 2004
Editora: CONTEXTO
Preço médio: R$ 25,90

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